terça-feira, 17 de novembro de 2009

Mais loca que o Batman


Acho que todo mundo já passou por uma situação em que deixou uma outra pessoa constrangida sem querer, no meu caso, eu vivo fazendo isso, e juro, a maior parte é sem querer mesmo. Eu aplico muita ironia no meu dia a dia, aquela coisa de respostas rápidas e muitas vezes, por ser meu jeito mesmo muito solta, simplesmente falo alguma coisa até séria mas de um jeito que vira graça.

Um dos assuntos que constrange muito as pessoas que não me conhecem muito é o fator família, alguns dos meus amigos não sabem que meu pai é falecido, imagine meus conhecidos, enfim, eu não me apresento a uma pessoa e digo, "oi, meu nome é Geovana e eu não tenho pai"e também evito um tanto o assunto, não porque me incomode, quanto ao fato eu já sou muito bem resolvida, e não me abalo quando conto e tudo mais, não me chateia, mas parece que quando você conta a pessoa fica sem graça, como se te chateasse, ou então fica me olhando com cara de piedade, o que é terrível!

O curioso é quando entra em algum assunto que alguém pergunta sobre minha família, do tipo, "o que seus pais fazem da vida?". Quando eu não quero estender a conversa, mas não quero mentir eu falo, "Bom, da vida meu pai não faz mais nada, mas era locutor" depois estendo para falar da minha mãe e tal.

Mas esses dias aconteceu algo meio diferente, eu fui contar uma arte minha, minha e de mais uma prima minha, como nós éramos um pouco atentadas. Falava com um amigo sobre a influência da TV na vida das crianças, principalmente nas mais retardadas, como foi meu caso!

Uma vez, eu e minha prima, resolvemos imitar uma vídeo cassetada (super inteligente!) eram dois "moleques" que estavam vestidos de Batman, um deles dava um "Bat Soco " na barriga de um cara, o outro ia logo em seguida e dava um "Bat Saco"! A cobaia foi o eu pai! Pense! Ele estava dormindo durante a nossa grande ideia, eu fui e dei o "Bat soco" minha prima foi e deu o "Bat Saco" mas ela não foi delicada... Enfim, eu já estava meio longe mas levei a pequena bronca junto!

Quando eu terminei de contar, meu amigo, muito espontâneo, falou "nossa seu pai deve ter morrido de raiva e de dor", então por um impulso idiota eu disse "não, na verdade ele morreu de cirrose, mas não bebia, foi bem estranho o caso dele". Meu amigo ficou sem palavras, ele não sabia que meu pai havia falecido, ficou meio sem graça pelo que eu falei, mas falei de boa, ele percebeu que não havia falado nada errado, mas a situação foi um tanto constrangedora, claro.
Então ele agiu normalmente e voltou a comentar sobre o fato, falou, "nossa, e sua prima não morreu de vergonha depois?"

Ai então eu não aguentei mesmo, e contei:
"Bom, na verdade... ela morreu, mas de acidente... dois anos antes do meu pai."
Não preciso dizer que ele me olhou com aquela de "você não existe".

Juro, foi a maneira mais estranha que eu já contei para alguém sobre os dois fatos.
Tem gente que pode ler isso e achar um horror, tem gente que vai rir, nós rimos muito depois do jeito que a "coisa" aconteceu, meu pai mesmo deixava bem claro que quando ele morresse, eu não deveria ficar chorando, que isso chatearia muito ele, imaginar que quando eu lembrasse dele me trouxesse lágrimas e sofrimento, ele queria ser lembrado de forma alegre, ele tinha um humor um tanto peculiar também, mas tudo isso serviu de lição, para o que eu ainda não sei...

Auto-Ironia!

9 Comentários:

Debora Cristina disse...

HUhauhauahahuahuaha
Geo...confesso que ri muito.
Achei q vc tá certa...não é porque a vida é tragica quea gente tem que perder o senso de humor...
Claro que com o respeito que você abordou...e com certeza você deve ter boas lembranças comicas do seu pai.

um beijo.

;}

Sr.Burns disse...

ri litros kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Thamires Almeida disse...

Ahhh, ri demais!


Vc eh minha cronista preferida =D Textos e fatos perfeitos!

Carla disse...

Ai vc me mata de rir! a gente num pode deixar a tristeza tomar conta da gente mesmo. devemos sempre lembrar das pessoas que amamos com um sorriso e não com lagrimas! Com certeza seu pai e sua prima deram boas risadas da cara comica do seu amigo(imagino como seria)lah do céu quando vc contou. Putz deve ter sido ilario mesmo!
bjão

Cíntia Mara disse...

Eu também costumo ser bastante irônica, mas acho que nunca passei por nada parecido. Seu amigo deve ser um cara super bem resolvido e extrovertido, porque senão teria cavado um buraco no chão e enfiado a cabeça lá.

Acho que vou começar a prestar mais atenção quando falar 'fulano deve ter morrido de rir', 'sicrano deve ter morrido de raiva' ou 'beltrano deve ter morrido de vergonha'. A maioria das pessoas se sente mal ao lembrar de pessoas que já se foram. Eu mesma, não consigo me imaginar rindo disso se fosse comigo.

Enfim, acho que seu pai estava certo. É muito ruim ser lembrado pela tristeza dos momentos finais, é melhor lembrar a vida!

Bjs

Dona Geo. disse...

Varia muito com o estado de "espírito" de cada um também... o momento e a pessoa que você fala, se eu falo um troço desses para uma pessoa mais séria, ficaria muito chato, com certeza.

É uma forma de conseguir ter humor sem perder o respeito. Meu pai não é hoje uma dor para mim é apenas bons momentos, saudade é inevitável mas enfim, não é aquele sentimento que faz mal e deprime, de forma alguma. :)

Anelise disse...

Porisso que eu amo a Dona Geo! *-*
kkkkkkkk nem precisa fala que tive que para varias vezes pra riiir litros né. kkkkk
Acho que depois dessa seu amigo deve ter parado com a "mania" de falar: fulano morreu de ri, morreu de dor, morreu de vergonha.

Uma vez eu passei por uma situação "meio" parecida, tipo minha colega colocou uma foto no orkut e na descrição uma baita declaração, aí a entrona foi fazer comentarios de zuação aaah ta apaxonada, apesar do cara ser bem feinhoo(:$) e depois ainda veio outra: Felicidades amiga.. logo depois: Esse é meu irmão falecido a 5 anos e blablablá. :O Quase morri de vergonha, pedi mil desculpas, e na rua ainda pedi mais desculpas! nunca mais me intrometi aonde ñ sou chamada (A) #abrindo exeção*

Anαlucy :* disse...

Nossa, meu pai também faleceu, e também foi de cirrose. E também não bebia o.õ
hahahahahahaa '

Me identifiquei muito com essa história, sabe, assim como você, muitos dos meus amigos não sabem do falecimento do meu pai. Então, tento contar de uma forma bem sucinta, para não constrangir nem a mim, nem as outras pessoas.
Me lembro até da semana que ele morreu, fiquei 2 dias sem ir à escola, mas não porque estava abalada ou coisa assim. Não fui por não ir mesmo. Perdi algumas provas e alguns trabalhos, então levei o ATESTADO DE ÓBITO dele pra escola.
Teve uma professora que, quando me viu, já veio falar comigo na maior ignorância, perguntando porque eu faltei. Eu disse somente "tenho atestado, quer ver ?". Ela me olhou com uma puta cara de nojo, e retrucou: "bem, você deveria ter feito pelo menos um esforço pra comparecer à minha aula, agora vou ter que retomar toda a matéria somente por tua causa". No mesmo instante, estendi o atestado a sua frente. Quando ela viu, engoliu seco, fez cara de espanto e de vergonha. Eu dei um pequeno sorriso e disse: "Não se encomode quanto as matérias. Você realmente não tem culpa dos meus problemas".

Bem, foi um 'bafão' e tanto isso. Mas nem me encomodo. Não tem nada mais natural do que a morte.

Beijos, e adorei seu blog.

Camila disse...

Olá achei sua história super engraçada
e me identifiquei com ela, pois perdi minha mãe com 12 anos. Logo de início foi uma barra. Mas com o tempo a gente acaba se conformando.
E como você, odeio que as pessoas fiquem olhando pra mim com cara de piedade.
Bom, mas vou contar pra você uma das várias experiências que tive ao contar que minha mãe já havia falecido. E essa foi uma das mais engraçadas ( que eu lembro).
Eu estava numa festa com algumas amigas, e notei que tinha uma carinha me encarando. Ele resolveu chegar até a rodinha de amigas em que eu estava e se apresentou a todas elas. Até aí tudo certo, mas no momento em que ele se apresentou pra mim, ele disse a cantada mais estúpida que já escutei: "Sua mãe, aliás, minhas sogra vai morrer de orgulho em ter um genro que nem eu".
Depois que ele me falou isso, olhei pra ele e disse normalmente: "Na verdade, ela não vai morrer de orgulho, pois já morreu, e de infarto".
Na hora minhas amigas me encararam, algumas incrédulas com o tom que eu disse e outras olharam com o cara de piedade. Já o carinha olhou pra mim e deve ter pensado: "Essa menina é louca". Depois disso ele continuou conversando um pouco mais com as minhas amigas e comigo e depois sumiu no meio do povo. rsrs...
Bom, essa foi a história...

Beijo...
E ah... adoro seu blog.

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